Ao chegar em casa me joguei na cama, me recriminei milhares de vezes por ser tão idiota, por acreditar. Essa não era a primeira vez que isso acontecia, já tinha me apaixonado outras vezes, por um tempo era perfeito, depois vinham os problemas, as mentiras, as traições, era um descobri que sonhei sozinha, que para a outra eu era a grande aventura de um relacionamento em crise, outras vezes eu era só a fantasia de namorar outra mulher, e quando essas histórias deixavam de ser interessante eu quase sempre era a parte descartada. O problema é que dessa vez eu fiz tudo certo, esperei o tempo dela, fui me apaixonando devagar, deixei ela entrar sem nenhuma reserva, se brincar devo ter sonhado com uma casa, um cachorro, e uma cama onde duas mulheres dormiria de conchinha a vida inteira. ERA MESMO UMA TOLA.
Se ela sentiu minha falta naquela cama não foi o suficiente para que me ligasse, porque já era cinco da manhã e nenhum sinal de vida, só meus olhos que insistiam em transformar em lágrimas a certeza de uma vida solitária, onde será que guardaria meu sonho do pra sempre, onde não existia príncipe, muito menos castelo, existia uma casinha com jardim, uma mulher que aos meus olhos era perfeita tomando café numa caneca recostada no umbral da porta enquanto eu cuidava das plantas, o que fazer? Viver de aventuras? Meu coração não era assim.
A vida segue, então levantei da cama, tomei um longo banho, lavei o rosto com água gelada para disfarçar o choro, fiz café, coloquei na caneca, fui para o alpendre da casa, sentei nos degraus, olhei para aquele jardim que sempre seria só meu. Fiquei um pouquinho ali, sair porque as lágrimas estavam vindo, e não era lágrimas só por ela, eram lágrimas pela solidão de vê esse mundo gay tão cheio de mentiras, por me saber sozinha.
Troquei de roupa, fui para o trabalho, nem me dei o trabalho de olhar o celular. O dia se arrastou, principalmente porque eu e ela passávamos o dia inteiro trocando mensagens e hoje só o silêncio me acompanhou, não quis vê nada, ele ficou o dia inteiro na bolsa. Foi um tal de fingi que estava tudo bem, um sorri de piadas sem graça, uma vontade de sumi.
Fui pra casa como o mundo nas costas, entrei pelo jardim que não me encantou, fui andando tão distraída que não vi uma mulher sentada no banco, desses que balançam, ela estava tão quieta que quando ela se levantou quase me matou de susto, dei um passo atrás, quase cair, ela correu, me amparou, me envolveu num abraço desajeitado, meu coração foi envolvido por aquela nuvem rosa de vontade de me deixar levar.
- Desculpe, eu não queria te assustar. Ela pede.
- O que você está fazendo aqui? Pergunto tentando conter a vontade de esmurrá-la.
- Quero saber o que está acontecendo? Ela fala conciliadora
- Você ainda quer saber? Respondo com raiva.
- A gente pode entrar?
Entramos em casa, silêncio, eu não quero falar, ela parece não saber o que dizer.
- Quer um café, água, suco, quer alguma coisa? Ofereço
- Quero conversar com você?
- Sei tudo que você vai me dizer é definitivamente não quero saber o porque de você agir assim.
Estava preparada pra tudo, menos para vê-la desabando no sofá com as mãos no rosto chorando, por segundos ainda resistir, mas lá fui eu abraçá-la, lá fui eu sucumbi a vontade de vê-la sempre bem. Abracei, deixei ela soluçar no meu ombro, acho que também deixei as lágrimas cairem silenciosas, abraçando, embalando aquela mulher que parecia tão ferida quanto eu.
- Tudo vai ficar bem. Repetia pra ela, pra mim.
Fui secando aquele rosto primeiro com as mãos, depois com pequenos beijos, só fui, só quis me despedir, quis experimentar novamente aquele prazer tão intenso de tê-la.
Então fui deixando me levar por aquela mãos, por aquele corpo que parecia tão frágil, por aquele perfume que me fazia querer morar nela. Pareceu que ouvi lá longe um fica comigo, o abraço dela pareceu tão deseperador, pareceu se agarrar a mim, eu não queria nunca mais ser aquela que sempre se fere, mas quis tanto tê-la mais uma vez.
Fui me deixando ser guiada por uma boca que beijava a minha com um carinho tão grande que doía. As mãos dela em mim, o desejo cada vez mais presente, fui indo, meu corpo agora estava sobre o dela naquele sofá, minha boca faminta encontrava uma fome muito maior nela.0
Sua lingua invadia minha boca, suas mãos me falavam de saudade, seus olhos me faziam promessas, mas já tinha ouvidos tantas, tantas e tão vazias. O desejo foi mais forte, só deixei aquela língua brincar com a minha, deixei ela lamber de mansinho minha boca, não teve como não sorrir porque acho estranho e faz cócegas. Ela olha, tentar confirmar o que o universo sabe.
Meu corpo estremece tal o prazer que seu toque causa em mim, ela tira minha blusa com facilidade, eu tiro a dela com um pouco de dificuldade, meus seios tocam o dele, fico arrepiada com o prazer desse toque, as mãos delas apertam minhas costas, seu quadril dança sobre o dela.
Nossas bocas se consumem, desço beijando seu pescoço, me deliciando o com cheiro que ela tem, beijo seus seios, sugo um depois ou outro, ela aperta ainda mais minha cabeça ao encontro deles. Tiro sua calça, sua calcinha, a deixo nua, tiro minha roupa, abraço aquela mulher agora nua, nossas pernas se enroscam, se molham, são só um reflexo do desejo que temos uma pela outra.
Minha mão desce, brinco entre suas pernas, insinuo que vou, mas paro, quero muito dá prazer a ela. Ela pega a minha mão e me guia até aquele triângulo perfeito.
- Eu quero, por favor. Ouço ela me pedir de olhos fechados
Tudo ali estava quente, molhado, eu quis, ela geme, move o quadril ao encontro da minha mão. Nesse transe de desejo ela parece acordar. Sinto sua mão procurar por meu prazer, quando ela me toca sei que quero, quase morro de prazer quando seu dedo brinca com meu clitóris, ficamos assim nos tocando até que o gozo veio, ficamos abraçadas até que nossos corpos se acalmaram.
Fernanda Tahann
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