domingo, 14 de dezembro de 2014

PIOR

Nunca fui igual, fui levada muito cedo a acreditar, a vê que era pior
Quando criança só me sentia criança no meio do mato com minha avó, e quando chegava lá, meu coração já estava tão adulto que demorava a se desarmar, para me deixar vê o prazer em correr, andar a cavalo, mergulhar no açude, banhar de cachoeira, tomar leite quentinho no curral, acender fogueira no terreiro e ficar ouvindo estórias de trancoso,
Crescir. Será que crescir mesmo?
Virei mulher nos braços errados e só confirmei, existe outra melhor do que eu
Amei, amei muito. Um dia outro nome foi dito na cama, e mais uma vez minha mãe se mostrou certa eu era pior.
Acreditei então que sou pior.
Talvez por ser pior meu coração doa mais, minhas noites sejam maiores e a vida de qualquer pessoa pareçe melhor que a minha.
Acredito, então sigo sozinha, porque não quero contaminar ninguém com essa mania de ser pior, de amar demais, de querer o amor do ser amado só pra mim, de querer a sua felicidade inteira.
Realmente mãe sou pior, mas apesar disso, acredito no amor, no riso, na felicidade.
Acredito que quem ama briga, sente ciúme, bate a porta, se arrebenta, mas quer a felicidade do seu amor. 
Por isso mãe, eu consigo entender porque sou pior, porque esse mundo egoísta, que não ama, não pode ter sido feito para um coração tão ruim como o meu, que só sabe amar, mas que hoje não acredita em muitas coisas, além do que você me fez acreditar, da sua herança para mim EU SOU PIOR.
Fernanda Tahann

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