Era uma noite como tantas, estava num barzinho chamado Casa de Madrinha não me pergunte o por que do nome porque não sei. É todo rústico, parece casa de fazenda antiga forno de barro, bule, máquina de costura, é um amontoado de informação que o faz ficar aconchegante com cara da infância, da casa de vó.
Moro numa cidadezinha no interior do Maranhão, sabe aquela cidade onde todo mundo conhece todo mundo, fala mal de todo mundo? Pois é moro numa cidade assim.
Lá também morava uma linda mulher chamada Isabel, ela não tinha aquela beleza de parar o trânsito, tinha uma beleza única, baixinha, um corpo lindo, muito mais velha que eu, o que a tornava ainda mais interessante aos meus olhos, afinal nunca gostei de mulheres mais novas mesmos.
Seja lá onde a gente se encontrasse ficava aquele clima estranho, aquela vontade de não sei o quê. A conversa parecia ter milhares de mensagens escondidas, cifradas. As cores do dia, da noite tudo mudava quando ela estava perto.
Sabe aqueles olhares furtivos, aqueles que você olha com medo de ser flagrada, quando tínhamos oportunidade conversamos, era uma troca de olhares aqui, um toque acolá, mas ninguém tinha coragem de ir além, porque se alguém siquer suspeitasse de algo entre nós seríamos motivo de chacota para o resto das nossas vidas, então era tudo muito sutil, muito discreto. Se é que era alguma coisa, podia ser só fantasia da minha cabeça.
Não tinha coragem nem de pedi o contato dela, apesar de já ter ligado inúmeras vezes no fixo da casa dela só pra ouvi sua voz, bobagem né? Mas não tinha coragem de chegar, encantar, me encantar, então me contentava com essas bobagens.
Nessa noite na Casa de Madrinha a noite transcorria normalmente, muitas cervejas, muita falação, até que lá pelas tantas ela chega com um grupo de amigos, o interessante é como nosso coração reconhece quem quer, porque meu coração disparou no momento que ela entrou naquele bar, sem mesmo vê-la. Ao senti sua presença o ar ficou mais leve, meu corpo entrou em alerta. Acho que era capaz de dizer qualquer movimento que ela fazia. Algum tempo depois ela foi até a nossa mesa, nos cumprimentou, até hoje sinto aquele cheiro até hoje, como gosto daquele cheiro.
Ela chegou perto, beijou meu rosto, ficou tão perto. Tentei disfarçar de todo jeito, mas aquele contato tão ingênuo, tão simples despertou um desejo tão grande tudo que queria era ter mergulhado naquele corpo. Queria cheirar, lamber, comer, tocar, de algum jeito tê-la, fazê-la minha.
A noite seguia, alguém a convidou pra sentasse um pouco com a gente. Providencialmente tinha uma cadeira vazia ao meu lado, ela sentou, conversou com todo, nenhuma atenção especial a mim, exceto sua perna que as vezes roçava discretamente na minha. Não sei como mas começamos a falar sobre medo, terminei falando do meu medo de ficar sozinha em casa, de como os pequenos barulhos, as sombras, tudo me assustava, e o pior é que passaria o final de semana sozinha já que meus pais tinham ido viajar.
Conversa vai, conversa vem, de repente sou convidada para dormir na casa dela, pelo menos naquela noite não sentiria medo pois eu teria um gatinho para me proteger, gargalhadas, todo mundo me gozando. A partir do momento que aceitei o convite pareceu que o tempo parou, ou não passava, porque estava ansiosa, com medo, mas certa que naquela noite muita coisa mudaria.
Ela voltou pra mesa dos amigos dela, fiquei com os meus tentando aparentar uma normalidade que estava longe de senti. As vezes olhava pra ela, ficava observando a mulher segura, elegante, linda que ela era. Parava de olhar rapidamente com medo dos olhares em volta.
Na madrugada sinto uma mão no meu ombro avisando que se quiser ir dormir mesmo ela já estava indo. Meus olhos por breve segundos se encontraram com os delas e ali estava a promessa, o pedido: VEM!
Me despedi das pessoas, como tinha vindo de carona com a Julia, fui com ela aproveitei e fui com ela. Lembro dela abrindo a porta com cuidado, de entramos de ponta de pé por aquele corredor que parecia interminável. Lembro de entrar naquele quarto, ainda sou capaz de descrever cada detalhe dele, os móveis tradicionais em madeira crua, o piso antigo, a cama enorme que dominava o quarto inteiro e me dominou também.
Fiquei sem graça, não sabia o que fazer comigo. Estava muito nervosa, não sabia o que fazer para que ela não ouvisse as batidas do meu coração porque parecia que ele era capaz de acordar o mundo tal a força do seu pulsar. Ela tão tranquila, tão experiente, parecia receber mulheres naquele quarto sempre, e eu, bom pra mim ela era unica, era a primeira. Ela me ofereceu cerveja, conversava como se fossemos velhas amigas, abriu aquele guarda roupa, me ofereceu toalha, roupa de dormir.
Fui ao banheiro, tomei banho, ela colocou um arsenal de cheiro a minha disposição, graças a Deus por ser mulher e como tal carregar quase tudo na bolsa. Tomei banho, me perfumei inteira, voltei para o quarto. Ela falou qualquer coisa, foi para o banheiro.
De repente fiquei como medo da minha falta de experiência. E agora? Fui para aquela cama enorme, que hoje me pergunto se a veria tão grande hoje. Fiquei naquela cama sem saber muito o que fazer, a mulher que desejava tanto, que povoava meus pensamentos e muitas vezes meus sonhos estava ali, aparentemente entregue, ou no mínimo desejando.

Deitei, me cobrir inteira, ela estava toda relaxada, talvez porque pra ela eu era apenas outra mulher que ela trazia para aquele quarto na madrugada, mas pra mim ela seria a minha primeira, a primeira com quem iria até o fim, a primeira que amaria
Começamos a conversar, não sei em que momento ela se aproximou de mim, quando aquela mão tocou minha perna, quando meu corpo sentiu o choque daquele toque, quando meus olhos se encontraram com os dela, soube que seria ela, que meu coração ficaria ali.
Quando me toquei ela estava tão junto, aquela boca tão desejada ali, podia senti seu hálito, seu perfume, e eu sem que houve qualquer contato físico além daquela mão, estava tão excitada, parecia que um rio saia de mim. Acho que ela sentiu o cheiro, sentiu meu corpo trêmulo, porque ela veio tranquila, dona da situação, me abraçou, o beijo veio intenso, as mãos apressadas, a vontade de sentí-la nua tocando meu corpo nu.
Ela foi me conduzindo, beijando, apertando, me trazendo cada vez mais pra ela, aquela boca, sussurando que me achava linda, que me desejava. Aquela língua que entrava na minha orelha, que mordia de leve, que passeava suavemente no meu pescoço, no meu colo. Aquela perna que entrou entre as minhas e ali ficou como se ali fosse a sua casa.
- Eu nunca fiz isso. Ainda tentei dizer, mas fui silenciada por uma boca faminta que pedia, que queria tudo.
A língua dela passeando pelo meu corpo, eu respondendo a cada toque, aquelas mãos delicadas me tocando, arrancando gemidos, deixei meu instinto agir, comecei a beijar o colo dela, sugar um seio depois o outro, seios que pra mim eram perfeitos.
Desci para sua barriga, subi e comi aquela boca tal minha fome, deixei minha mão se insinuar entre suas pernas, cheguei ali, brinquei, vi o desejo, ouvi os gemidos, vi o ventre dela vim de encontro a mim buscando meu toque, então entrei naquele lugar quente, macio, molhado e ela gemeu, se contorceu, pediu mais.
Ela movimentava seu quadril ao encontro da minha mão, ela se abre, se oferece, pede, eu apesar do desejo, estava com medo de fazer alguma coisa e estragar tudo. Tento me concentrar nela, continuo tocando-a com suavidade, seus gemidos agora são uma prova que o gozo está chegando. E ele vem, fazendo o corpo dela tremer, brilhar, ser meus por breves, preciosos momentos.
Ela me puxa pra seu colo, me abraça muito, sorri, sussura que vi me matar de prazer, mais isso eu deixo pra amanhã.
Fernanda Tahann




