Sabe quando você tentar vê, lê os pensamento de alguém, essa era eu. Ficamos parada uma olhando para outra com um banco entre nós.
Tentei colocar a mulher forte que mora em mim, então sorri, fui ao encontro dela para dá aquele beijinhos educado tão típico da nossa forma de cumprimentar, mas ela colocou a mão no meu colo. Fiquei dura, será que ela tinha tanto nojo do que tinha acontecido entre nós que não suportava nem minha proximidade, acho que devo ter deixado isso claro que a ouço diz.
- Ei moça brava só acho que a eu mereço um abraço não esses beijinhos sem graças. Disse já rodeando o banco, ficando na minha frente, me abraçando, abraçando tanto que me vi envolvida naquele perfume que era o mesmo, senti a maciez do a sua pele, controlei minha vontade de beijar aquele pescoço, mas suspirei naquele mundo de perfume que saia dela.
- Como você está? Faz tanto tempo que não nos vermos? Sentir saudade, acredita? Ela foi falando meio nervosa sem muito controle.
Sentamos naquele banco, a lua cúmplice saiu de entre as nuvens, iluminou a noite, iluminou aquela mulher que sempre seria perfeita pra mim.
Ela me ofereceu um gole do vinho que estava tomando, mostrei pra ela meu copo com cerveja indicando que não misturaria bebidas.
Tentei vê-la como uma velha amiga mas não era possível, tudo em mim reagia a ela, parei de tentar o impossível, passei só a me controlar, falamos das vezes que sentamos naquele banco e conversamos. Eu como um boba sorria de cada bobagem.
Eu falei da minha vida profissional, que estava bem, tentei contar casos engraçados, porque vê-la sorrir sempre foi um prazer, falei do que gostava de fazer, tentei evitar a todo custo falar da minha vida pessoal.
- Você casou? Ela pergunta
- Sim. Falei olhando pra ela, que fugiu do meu olhar correndo.
- Com uma mulher? Pergunta olhando pra mim.
- Sim com uma mulher. Respondo sorrindo, para uma mulher que me olha séria, que parece sofrer com essas respostas, mas eu já fantasiei tanto que posso está fantasiando tudo.
- Vocês ainda estão juntas? Pergunta sem olhar pra mim.
- Ah! não esse papo está ficando muito sério, vamos relaxar. Você fica aí quietinha que vou lá dentro pegar bebidas pra gente, então você vai me falar da sua vida.
Entrei no salão de festa, um sem número de cumprimento, eu tentando ser gentil, mas louca pra voltar para aquele lugar, para aquele fio de esperança que estava nascendo no meu coração. Finalmente peguei as bebidas, voltei quase correndo fingindo não ver muita gente.
- Desculpe a demora, mas é muita gente pra falar, mas estou aqui, e como combinado você vai me falar de você. Só então olhei em volta, vi que estava sozinha. Uma vozinha falou quase chorando: "você esperava o quê?
Será que ficaria sempre assim, passaria a minha vida alimentando uma esperança, sentindo esse desejo louco que era sou meu. Sentei, tomei minha latinha, olhei para minhas mãos, quase com tristeza vi que tive o cuidado de trazer um copo já que ela nunca bebia direto na latinha. Um sorriso triste vem sem que nem perceba, será que ela tem alguma lembrança minha, enquanto eu sou cheia de lembranças dela.
Volto para o salão, converso muito, sorrio outras tantas vezes, muitos abraços, e finjo, finjo muito que está tudo bem. Uma duas horas depois volto pra casa, como sei que não vou conseguir dormir fico rodando sem direção. A lua convida ao amor, a solidão dói, mas dói principalmente saber que vivo presa num momento que foi só meu.
A cidade que fui criada é pequena, a violência aqui é só as fofocas, aqui as pessoas brigam de noite e fazem as pazes na manhã seguinte, então dá pra andar de madrugada sem medo. Cheguei na beira rio desci do carro, resolvi sentar em um dos bancos a noite estava tão linda, essa noite, podia ter sido essa noite.
Fiquei me questionando se não estava na hora de esquecer tudo, sei lá, de fazer terapia, de tentar esquecer tudo, de deixar realmente uma outra mulher entrar na minha vida. Porque será que não tinha um remedinho na farmácia pra fazer a gente esquecer o amor.
- Bem que você podia me ajudar a beber essa garrafa de vinho?
Eu nem liguei, devo está confundindo sonho e realidade, continue com os olhos fechados sentindo aquela brisa gostosa, porque aqui no Maranhão é muito quente
- Poxa minha companhia é tão ruim que você está fingindo dormir? Sinto uma mão conhecida tocando minha perna.
Abri os olhos devagar, olhei para o lado, lá estava ela, sorrindo, tão, tão perfeita.
- Você me largou lá. Reclamei
- Sabia que você não iria consegui voltar com a rapidez que você acreditava, então resolvi sair dali, precisava de ar, precisava pensar, então vim pra cá, que se você lembra é um dos meus lugares predileto. Como se eu não lembrasse de tudo que dizia respeito à ela.
- Encontrei um pessoal ficamos aqui, depois fui pra casa, mas por algum motivo não consegui entrar em casa, resolvi voltar.
- Que bom que você voltou. Falo colocando minha mão na sua perna, ela reage como se tivesse queimando, como se estivesse com nojo, sei lá, ela se encolheu toda. Tiro a mão com rapidez.
- Desculpa, foi sem nenhuma intenção. Tento me explicar.
- Pare, pare você sabe que não é nada disso. Tenta se explicar.
- Deixa pra lá. Encerro a discussão.
- Bom, eu estava passando e te vi, lembrei que tinha um vinho geladinho, copo e gelo que comprei para o papai levar pra roça, mas pensei que nós podíamos beber, conversando.
- Claro, vamos beber.
Ela foi buscar copos que na realidade deveria ser taças porque ela era cheia de etiqueta. Dito e feito lá vem ela com taças a única coisa errada era o gelo.
- Bom assim a gente não tem que colocar a garrafa no gelo.
Ela sentou ao meu lado, eu morrendo de vontade de perguntar se seu marido não iria estranhar que ela ficasse tanto tempo fora de casa. Por que ele a deixou sozinha? Mas fiquei quieta.
Começamos a falar do rio, que está mais seco, falando da cidade, mas a todo minuto ela procurava meus olhos, parecia querer, eu já tinha me enganado tanto que agora eu com cerveja e vinho pra me ajudar não acreditaria em nada do que estava vendo.
Conversamos muito, com a bebida, o desejo reprimido, os toques se tornaram frequentes, nossos olhos agora não fugiam mais, parecia que via meus olhos refletidos nela.
Numa certa altura da madrugada quando minha mãos estava sobre o banco, sinto sua mão sobre a minha, sei que é mais que um simples toque, nos olhamos, não dava mas para negar eu queria muito essa mulher, foi virar pra ela e vê aquela boca cada vez mais perto da minha, até que o tão esperado beijo aconteceu, foi trazê-la pra mim, sentir aquela boca macia, aquele corpo que me tirava a capacidade de pensar, apertei aquela mulher ao meu encontro, senti aquele cheiro, aquela língua, me senti derretendo. Sou incapaz de dizer quanto tempo o beijo durou só sei que quando abri meus olhos vi os primeiros raios de sol. Ela se afastou assustada e disse que precisava ir embora, se levantou dizendo que me ligaria, saiu quase correndo me deixando novamente com aquele gosto de paixão mal resolvida na boca.
Fernanda Tahanm
Meninas espero que vocês estejam gostando da história, se não for pedi muito deixe um comentário, me deixe saber onde errei, onde acertei.