No dia da festa estava um pilha de nervos nervosos, nem parecia aquela advogada respeitada que entrava num tribunal, numa sala de audiência pronta pra enfrentar o mundo, e enfrentava na maioria das vezes com sucesso. Me olhei no espelho, tudo que vi foi aquela menina de a 12 anos atrás sentiu tanto amor, tanta dor por uma mesma pessoa.
Tentei me acalmar. Por que estava sendo tão idiota? Estava me comportando como uma adolescente?. Lembre-se ela te rejeitou, casou, teve filhos, deve está feliz da vida com o seu amor, sendo aceita pela família retrógrada dela.
Experimentei todas as roupas, não gostei de nenhuma, mas agora estava tarde demais, tinha que escolher uma delas. Terminei por optar por pretinho básico, que mostrava o corpo bonito que tinha, coloquei um salto prata, brincos, colar, relógio, uma maquiagem leve e a mulher que vi no espelho, era bonita, parecia segura, era uma mulher que certamente conseguiria chamar minha atenção. Respirei fundo e fui.
Quando cheguei a festa estava animada, cumprimentei todo mundo, aquela história de como você está? Casou? Tem filhos? As perguntas de sempre, as evasivas de sempre.
Intimamente procurei por ela o tempo todo, mas não a encontrei, cheguei a conclusão que ela não queria nem me vê, finalmente comecei a perceber que nada do que aconteceu entre a gente tinha tido importância nenhuma para ela. Acho que tudo tinha sido NADA.
Essa conclusão me aliviou de alguma forma, relaxei, tomei uma cervinhas aqui, um sorriso, uma piada, outra cerveja, o riso mais fácil, vários amigos, estava quase feliz e nessa hora eu a vi. Linda, acompanhada por um homem que sorria de alguma coisa. Nossos olhos se encontraram, acho que devo ter feito um movimento que foi interpretado por ela como se eu fosse até lá, então ela educadamente deu um meio sorriso, enfiou o braço no braço do seu acompanhante e foi falar com outras pessoas. Se precisava de um sinal que tudo era nada esse era ele.
Bom, se ela conseguia fazer de conta que eu não existia, eu também podia jogar esse jogo. Continuei curtindo a festa, me comportava como se fosse a pessoa mais feliz do mundo, exagerando um pouco por conta da bebida.
Numa certa altura da festa achei que já tinha bebido demais, peguei um refrigerante, resolvi tomar um ar, sair para a área aberta do clube que conhecia tão bem, sentei embaixo da antiga mangueira que agora não parecia tão grande. Respirei fazendo aquilo que quase todo mundo quando está altinha faz, comecei a rever minha vida, por mais que não quisesse sempre começava por ela. Quantas vezes ficamos ali conversando por horas, naquele tempo a gente vivia grudada, acho que já era apaixonada por ela e não sabia.
Agora diante desse encontro, que imaginei tanto, de todas as formas possíveis tinha acontecido de uma forma surpreendente comecei a me perguntar será que eu fantasiei? Será que aquela noite tinha sido do jeito que lembro? Neste instante sinto uma mão no meu ombro, levanto assustada, ela está lá diante de mim, e mais um vez meu coração a viu perfeita pra mim.
- Precisamos conversar. Ela diz.
Fernanda Tahann
Menina se vocês gostaram continue acompanhando, e se quiserem lê mais visite o wattpad da Fernanda Tahann lá tem muito outros. E se não for pedir muito deixem um comentário, alegrem um coraçãozinho triste.